Manifesto

Julho 16, 2007

E meu amigo, não sou o que pareço, a aparência é apenas um fato cuidadosamente feito á medida que me protege das tuas perguntas e a ti do meu desinteresse. É que, tenho de confessar, o meu ser mais íntimo vive no silêncio e ali ficara para sempre. Digo o impossível, nada se aguenta de pé, permanecera sempre incoerente. Inconsciente, aparentemente inconsciente, gratuito na sua apatia, na sua eloquência total.

A especial razão que me faz perder tempo a brincar, perder tempo a brincar com as palavras. A bola era minha. A faca não. Mas a bola é que estas em causa.

Mas não te quero levar a acreditar naquilo que eu digo, nem confiar no que faço, porque as minhas palavras são obras, obras de facto que vive no meu interior. Quando digo “ o vento sopra de leste” e eu respondo “ Sim, sopra sempre de leste” se me atrever a confessar que o meu espírito não se ocupa do vento mas sim do mar, sempre do mar.

Porque “ meu amigo, quando para ti é dia para mim é noite. Nem por isso deixo de te falar na luz do dia que faz crescer as árvores, nem da sombras dos vales. Porque tu não podes ver o tamanho da minha dor, nem as minhas asas a lutar contra as estrelas.

Meu amigo, prefiro estar sozinho na noite, mesmo quando tu sobes ao teu paraíso e chamas para ir contigo. Tu amas a verdade, a beleza e a justiça, e eu para te agradar digo que estou de acordo contigo e acho bem que ames essas coisas todas, mas não entendo o teu amor por elas.

Meu amigo, és bom, sensato, eu procuro falar contigo e com cautela, mas estou louco. A verdade é que prefiro estar louco a estar contigo


2 Responses to “Manifesto”


  1. [...] PENSAR CUSTA não é mais do que isto, a minha paisagem interior. Não a vou adjectivar, não a quero florear. [...]


  2. [...] explico-me aqui [...]


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