Explico-me

Julho 16, 2007

Escrevo para contar os meus dias de outra maneira, para poder ver neles o mundo que trago comigo, pesado castigo quando o que procuro é uma forma de encontrar a salvação.

 


E diz-se por ai que um casal inglês em amores incomodava de barulho a vizinhança e que um juiz os multou em coisa de muitas libras. Há também uma viúva hindu que olha sem ver a pia funerária onde arde o seu defunto esposo e ouve sem ouvir uma voz antiga (que aconselha a não brincar com o fogo) há uma preta de doze anos a ser penetrada na sua tenda pré-nupcial pelas mais velhas da tribo e que não vê no tecto uma aranha a rir-se dela.

Há um ferroviário alemão divorciado e sem filhos que constrói na sala uma rede de auto-estradas em miniatura e na sua cabeça (sem o saber) tem um engarrafamento monstro.

Há nas águas (profundas) do pacífico um peixe-gato que perde a corrente e é vê-lo aflito procurar comida nas águas mais mornas. Há _ senhor juiz supremo_ um apicultor traído a quem as abelhas recusam um pequeno e ultimo serviço e sem ver o picam até morrer.

Há senhor juiz_ tudo isto na minha cabeça sem eu ver.

One Response to “Explico-me”

  1. suzete Says:

    porque temos que tapar o olhoesquerdo para fazer a esperiencia do ponto cego


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