No olhar para dentro apalpo a minha alma
Fevereiro 22, 2008
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Um esgar nervoso percorre-me a espinha dorsal. Um dente podre que polui o hálito e me lembra que fumar faz mal. Um fósforo que acendo e apago. A nódoa no meu sapato. Ninguém meu amor como nós conhece o amor ( esse sol ). Podemos utiliza-lo como espelho e apagar com ele as memorias. Podemos obriga-lo a parar à entrada das casa mais baixas. Podemos fazer como que a noite gravite hoje mesmo ao nosso lado. O sol degole cada um de nos, um a um, até que nos vendem os olhos.
Acendo e apago um fósforo.
É uma colmeia de vespas, sem vespa alguma, que levanta das paredes a minha vontade. Tijolos dourados de incenso que fazem esta casa uma casa, uma caverna. um roído de mó no turbilhão das cabeças de leite azedo, cantarros de barro de cerveja espumosa que se entornaram nos colchões de erva para dormir. A minha almofada de madeira que balbucia ainda o cheiro do meu corpo. uma pele de cabra morta curtida com tiras de couro, vergas enegrecidas pelo o fumo de tabaco águia, bosta de vaca amassada que arde por debaixo do tripé. O chão de terra com a aveia cozida do pequeno almoço.
Arrota o vento pela janela e pássaros pardacentos picam voo, o vento estorva e lá em cima as folhas cismam.
Jaz ele morto e não respira, fico mais calmo que um lago, mais rasteiro que a erva, fico então debaixo da terra.
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