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Mas claro que tinha sido tudo feito por ela e em torno de si, e agora estava de regresso ao mundo, não um mundo criado por ela, mas o mundo que a criara.
Naquele momento, a necessidade de escrever era mais forte do que qualquer ideia de que pudesse escrever. O que ela queria mesmo era entregar-se ao acto de ver desabrochar uma ideia irresistível. Ver o traço negro a sofrer na ponta do aparo de prata e a serpentear em palavras.
Como poderia, no entanto, fazer justiça ás mudanças que finalmente a tinham transformado numa verdadeira escritora, ao formigueiro caótico de impressões que a assaltavam, á repulsa e ao fascínio que sentia? Tinha de impor ordem. Começaria, como já tinha decidido por um relato simples do que vira junto a fonte. Mas esse episódio, que decorrera sob luz intensa do sol, não era tão interessante como o crepúsculo, os minutos que passara na ponte entregue aos seus devaneios, e depois Jonas a aparecer por entre a penumbra a chama-la e a segurar com a mão o pequeno quadrado branco que continha a carta que continha a palavra.
E o que continha a palavra?
Escreveu:
“ Era uma vez uma senhora que tinha engolido uma mosca.”
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- nem sempre é fácil escrever a verdade. É muito mais simples inventar e refugiar-se na imaginação -
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