O homem que rodeamos, o homem de que ninguém se aproxima, chora simplesmente e nem sequer o esconde, não chora como uma criança, nem como o vento.
Chora como um homem e não o proclama, nem bate no peito, nem sequer soluça. A virilidade mais bravia, a reserva mais áspera, a inteligência mais astuta ali presente treme em silêncio.
No ajuntamento alguns gritam que se julgavam felizes. Só as crianças mais pequenas se acercam dele e sentam-se aos seus pés, junto de cães e pombas sujas de pó.
Ridículo, diz um homem perto de mim, e tapa a boca como as mãos como se tivesse pronunciado um vómito _ e vejo uma mulher, brilhando estender a mão a tremer enquanto recebe a dádiva do choro.
Mas o homem que chora, como a terra, nada exige, o homem que chora ignoramos, o que na sua face contorcida e no seu corpo vulgar exclama.
Não são palavras, mas dor, são penas, duras como a pedra, existentes como o mar. E quando para, caminha placidamente entre nós.
- “Pingo doce não é Pindo doce, se for nos restauradores. Que horror! isto parecia um hospício: só bêbados, malucos e tarados. Foda-se, a miséria é uma treta”, palavras de quem habitualmente, como eu, vai ao Pingo Doce de São Sebastião -
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