Diz-me que vais estar cá quando eu voltar. Que nos poderemos tirar as plumas um ao outro. Que as minhas mãos se encherão de sémen e sabonete e nos lavrarão os sovacos, as virilhas, os sacos retesados dos testículos. Que na banheira ficará uma espumazinha de tintas e suor e pêlos enrolados em penas verdes. Diz-me que hoje, só hoje, não vais beber muito e que não te excitarás quando elas te apalparem no desfile. Que não terás uma vontade avassaladora de tirar o tesão para fora e saltar como um possesso como se ele se fosse desenroscar de ti. Diz-me que me amas, ainda. que te poderei lamber o delta que os riscos de suor abrirem na aridez das tuas costas. Apertar-te o tronco dos músculos fortes. A sofreguidão canina da tua língua nos meus pés. Diz-me que este, só este, carnaval eu não te irei buscar a prédios sujos perto da baía, onde um negro enorme te carregue até junto de mim e me olhe com os seus olhos grandes e fundos como uma noite sem lua. Não me obrigues outra vez a ter de imaginar como e quando fizeste amor com ela. Quantas vezes. Quantos amigas ele chamou para que os penetrasses com o teu falo inchado de violetas. Quantas gargalhadas elas deram com as gengivas manchadas como os guardanapos depois do vinho tinto. Não me obrigues a ter de descer à baía para te carregar para casa. Aos bêbedos caídos nos passeios. Aos cães saciando-se de costas como uma serpente que come o próprio rabo. Este carnaval promete que te vais lembrar de mim quando fores no carro e elas te mexerem nas pernas como náufragas agarrando–se ao último pedaço de madeira. Que o batuque não te fará sentir como uma abelha rainha fertilizando desesperadamente a infinidade do abdómen. Diz-me que vais guardar o salgado da tua boca para a minha sede de ti. Mostra-me do que são feitas as tuas tripas azuis de serpentes revolvendo-se. Este carnaval, só este, não me obrigues a enterrar-te as minhas unhas, e fazer correr rosas mortas no teu peito.

- um blog imprescritível claro, o da menina limão, onde leio: ” Deixemo-nos de merdas: tenho um tumor no cérebro que cresce com o teu esperma. Come-me de vez ou mastiga e cospe” e isto para não falar do Saturnine com os seus 6 blogs (o meu predilecto é o little black spot) , onde é que esta gente aprendeu a escrever assim? -

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